Violins – Quase Metade
Lançamento
2024
2008
O ĂĄlbum ‘AcĂșstico Saraiva’ (2008) da banda Violins Ă© um bootleg imperdĂvel para os amantes do indie e rock alternativo. Com arranjos acĂșsticos que valorizam a sonoridade da banda, o disco oferece uma experiĂȘncia musical intimista e envolvente. Explore as nuances de cada faixa e mergulhe no universo dos Violins. Uma oportunidade de conhecer um lado diferente da banda, com interpretaçÔes Ășnicas e uma atmosfera especial. Ideal para quem aprecia mĂșsica autĂȘntica e performances ao vivo. Ouça e descubra a beleza deste ĂĄlbum!

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2017
O primeiro CD, Wake Up and Dream, foi totalmente cantado em inglĂȘs, exibindo influĂȘncias de gente como Radiohead, Muse e Sunny Day Real Estate.
Aurora Prisma, o segundo ĂĄlbum, radicalizou na mudança. Saia de cena o inglĂȘs e o barulho dando lugar a lĂngua pĂĄtria acompanhada de melodias leves. No entanto, apesar da coragem da banda em mudar de rumo, o som que parecia buscar inspiração em Coldplay e no lado suave do Radiohead lembrava muito Clube da Esquina no resultado final. Nada contra, mas mesmo em baladas rock Ă© preciso ter culhĂŁo para se fazer as coisas valerem a pena. Tem que se mostrar “a” alma. A tĂtulo de exemplo, Ă© isso que diferencia The Killing Moon de In My Place: alma. Novamente nĂŁo dei atenção ao Violins.
Grandes InfiĂ©is, o terceiro ĂĄlbum da banda, lançado novamente pela Monstro Discos, no entanto, clama por atenção. Uma audição das doze faixas jĂĄ deixa o ouvinte confuso, seja ele fĂŁ da banda ou alguĂ©m que nĂŁo dava a mĂnima atenção ao quinteto. O Violins novamente muda de rumo e preenche o CD com doses violentas de guitarradas, bateria pesada marcando o ritmo e fazendo variaçÔes, baixo forte e, sobre tudo isso, o bom vocal de Beto Cupertino desfilando as melhores letras do rock nacional em muito, muito tempo.
âĂ HORA DE DORMIR, CADA UM CUIDE DE SIâ
A banda Violins, de GoiĂąnia, anunciou seu fim recentemente. ApĂłs cinco lançamentos e um sĂ©qĂŒito de fĂŁs que talvez nĂŁo seja tĂŁo numeroso, mas que acompanhou uma banda fora dos padrĂ”es do rock nacional, com letras acima da mĂ©dia e arranjos que fugiam da mesmice das bandas que tanto conhecemos.
Em 2001, ainda sob alcunha de Violins and Old Books, lançaram o EP “Wake Up and Dream”, com boas composiçÔes em inglĂȘs. Dois anos depois, jĂĄ na lĂngua pĂĄtria, veio Ă tona “Aurora Prisma” (primeiro dos quatro cds pela Monstro Discos), jĂĄ com melodias que chamavam atenção e arranjos rebuscados.
Mas foi nos ĂĄlbuns seguintes, que a banda realmente deixou sua marca, por mais que poucos dĂȘem conta disso.
“Grandes InfiĂ©is” sobe a outro patamar, com um rock mais direto sem soar Ăłbvio (linha tĂȘnue), com melodias mais pesadas (contra um clima mais ameno do cd anterior).
A primeira faixa “Hans” jĂĄ anuncia o peso das guitarras e empolga do inĂcio ao fim.
“O que me mantĂ©m / Ă© o contato com o inferno / Que detĂ©m todo meu sentimento / Ă© sĂł um direito que eu tenho”, nĂŁo Ă© UDR, Ă© o inĂcio de “il Maledito” e o nĂvel nĂŁo cai, o cd Ă© uma sequĂȘncia avassaladora de grandes cançÔes, vocĂȘ mal respira.
“GlĂłria” Ă© de arrepiar. “Atriz” talvez seja a melhor mĂșsica que escutei naquele ano. “Ensaio sobre Poligamia” Ă© uma canção em prol da canalhice âNĂłs sĂł viemos pra nos divertir / Deus, eu quis ser fiel a vocĂȘ! / Mas eu tenho tantos coraçÔes / Eu tenho tantos coraçÔes”. E o ĂĄlbum continua encantando, sem cair nas facilidades do pop, sem soar direto e Ăłbvio, enaltecendo nossos ouvidos. E isso vai atĂ© o final, na maravilhosa “Ok Ok”.
Em 2007, “Tribunal Surdo” chega ofendendo e cuspindo, tudo Ă© distorcido, o disco transborda uma acidez, um cinismo e uma urgĂȘncia que eu sĂł vi nos primeiros discos do punk ou mesmo do grunge, mas as analogias param por aqui. Este trabalho Ă© o mais barulhento e difĂcil, exatamente por ser ofensivo.
A primeira faixa, “Deliquentes Belos”, jĂĄ entrega: âNĂłs somos delinquentes belos em mundos possĂveis / NĂłs somos imperadores sĂ©rios em quartos de hospĂcio / NĂłs somos assassinos Ă©brios em frente aos seus filhos”.
“O Anti HerĂłi” sobe o nĂvel: âE de repente eu pensei que puta morte bela se eu morrer / Pra defender os bens que eu comprei a prazo e a prestação / E fingir que Ă© teu meu coração, fingir morrer por nĂłs / Mas nĂŁo, eu mato o ladrĂŁo / E agora vocĂȘ me tem devoção / A mim, um lambedor de chĂŁo / Que nem sei beber, sem te meter a mĂŁo”. Desafio uma banda a fazer um refrĂŁo tĂŁo contundente e acachapante.
“CampeĂŁo Mundial de Bater Carteira” e “Grupo de ExtermĂnio de AberraçÔes” sĂŁo dois petardos que escancaram duas realidades da nossa sociedade, uma nĂtida e outra, velada (de uma minoria).
“MissĂŁo de Paz na ĂĄfrica” estaria bem representada no cd anterior, onde uma pessoa deseja o bem para a prĂłxima, mas ao mesmo comete um “mal”, em uma das passagens mais engraçadas, onde o elaborado e o pueril se encontram e me larga um sorriso no rosto sempre que escuto: âQuando o navio partiu te levando pro mar / Eu quis chorar de emoção / Eu quis atĂ© te avisar / Que eu amei sua irmĂŁ no bando do meu Passat.Outro destaque Ă© “Piloto Russo na Aldeia Suskir”, que demonstra como uma sociedade pode julgar e reduzir uma pessoa ou grupo ao nada, como ao mesmo tempo pode elevĂĄ-la a uma condição de Deus. âEu sou piloto da força aĂ©rea russa / Eu cai aqui abatido no cĂ©u azul / Mas eu nĂŁo vim do cĂ©u / Isso Ă© um pĂĄra-quedas nĂŁo Ă© um manto hindu / Eu cai aqui abatido por caças turcos / Mas eu nĂŁo vim do cĂ©u”. Mesmo focando as letras, as melodias nĂŁo deixam a desejar (pelo contrĂĄrio), servem perfeitamente como trilha para cada histĂłria, o auge dessa sincronia estĂĄ na Ășltima faixa, “ManicĂŽmio”, que Ă© um primor.
Em 2008, a banda solta “A Redenção dos Corpos”, um trabalho ligeiramente inferior aos dois anteriores, mas mesmo assim de qualidade indiscutĂvel. Obra que Ă© dividida em uma primeira parte, mais calma e sutil e em uma segunda, mais pesada, com guitarras.
“A Busca” tem um pĂ© no trip-hop com um refrĂŁo mais britpop flertando com a turma “coxinha/new acoustic” de Coldplay, Travis e seus asseclas. A letra fala de uma pessoa procurando sua cara-metade, da pior estirpe possĂvel, assim como ela. Bem Violins.
“Exemplar do Fundo do Poço” começa com violĂŁo com um timbre bonito, que dĂłi. A balada prossegue, uma continuação da mĂșsica anterior, com a pessoa encontrando quem queria, cada uma repleta de seus pecados e termina singela: “VocĂȘ Ă© um exemplar do fundo do poço / mas eu amo o mal”.
As crĂticas prosseguem, contra as Igrejas em “Guerra Santa” (“Quanta concorrĂȘncia / Por um nome / Tantos porta-vozes sob vĂ©us / Em conflitos por um deus / Em conflitos / Que nĂŁo honram o seu nome”) e “Padre PedĂłfilo” (“Somos morais / NĂłs somos os tais / Homens de Deus / Que tĂȘm segredos tĂŁo escondidos / Tudo que Ă© vil pra chocar vocĂȘs”).
“Corpo e SĂł” Ă© singela, atĂ© demais. “Manobrista de Homens” encerra de forma digna a primeira parte.
Na segunda parte, Ăłtimas cançÔes tambĂ©m se apresentam, mas eu termino minha anĂĄlise jĂĄ na faixa nove (das 14), pois ela Ă© o epĂlogo da banda.A “Festa Universal da Queda” Ă© uma das melhores mĂșsicas da banda e tem um refrĂŁo, que de uma forma incrĂvel, atĂ© resume o seu final, consumado meses depois do lançamento do cd:
âO apelo de um timbre rouco ninguĂ©m se atentou e ouviu / NĂłs fomos um projeto torto que nĂŁo deu certo e ruiu / Ă© hora de dormir / Cada um cuide de si”.
Clamo os mais insensĂveis a escutĂĄ-la sem se emocionar. Se vocĂȘ estĂĄ entre eles, estĂĄ perdendo a grande essĂȘncia das nossas vidas, que fomenta atos belos e terrĂveis, atos que o Violins soube descrever como poucos.
E finalmente, em 2010, “Greve das Navalhas”, marcando o retorno do Violins.
ApĂłs o lançamento desse Ășltimo trabalho dos goianos, fora anunciada a saĂda do baterista Pierre AlcanfĂŽr e em seu lugar fora posto Fred Valle (Ex-Vicios Da Era/The Rocktunes). As expecativas para um novo CD indicam tudo para março de 2011.
por Marcelo Costa (www.screamyell.com.br)
Site oficial: www.violins.com.br





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1978


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